
MercNews - Dra. Letícia, você é formada por qual Faculdade e há quanto tempo?
Letícia Faria - Sou formada em Medicina Veterinária há um ano e meio, pela Universidade Metodista de São Paulo, e fiz estágio em Segurança Alimentar na parte de supermercados e restaurantes, ainda naquela época. Agora faço pós-graduação, que termino em junho próximo, na área de Gestão de Qualidade de Alimentos. Faz um tempo que eu tenho contato nessa área, que considero das mais importantes.
MN - O que é Segurança dos Alimentos?
LF - O que os clientes esperam quando vão a um restaurante? Que não só experimentem um alimento saboroso, mas que tenham tranquilidade quanto à segurança sanitária do que estão consumindo, e isso envolve a Segurança Alimentar, que engloba fatores como qualidade do produto, seu aspecto, cor e o sabor, entre outros itens. Só se consegue ter segurança quando todos esses itens andam em conjunto, porque não adianta nada um alimento ter boa aparência, e gosto nem tanto. Então, a segurança sanitária dos alimentos é isso; deixar você consumir um alimento com textura, cor, sabor e odor se encaixando, fazendo com que ele seja de fato seguro e esteja ideal para ser degustado, sem qualquer risco de uma possível doença alimentar.
MN - Então é assim que seu trabalho é difundido?
LF - É. Na verdade, com esse trabalho, nós esperamos que o cliente consuma um alimento com toda a segurança, e para isso fazemos uma total proteção ao alimento, monitorando desde a etapa de fornecimento e recebimento pelo estoquista e por uma funcionária da equipe de Segurança Alimentar, até a correta manipulação nas cozinhas, acompanhando todo um processo que termina na mesa do cliente. Cada alimento é verificado passo-a-passo, e assim ele tem um fluxograma no Restaurante, passando por todas as etapas.
MN - Como gira o seu trabalho?
LF - Costumamos fazer uma visita técnica ao fornecedor, observando se os alimentos oferecidos por ele estão de acordo com nosso padrão de qualidade e das leis existentes. O segundo passo é na hora do recebimento, quando há um critério básico a ser seguido – também de acordo com as leis vigentes -, cada um seguindo sua própria especificação e, ressalte-se, que cada tipo de alimento tem um critério diferente. Examinamos todos os alimentos, que a seguir vão para o seu próprio estoque e esta é outra etapa fundamental para a sua garantia. Fiscalizamos rigorosamente os perecíveis, mas cuidamos também dos alimentos secos em estoque, examinando embalagens, observando qualquer irregularidade que possa levar a algum tipo de contaminação, entre outros. Em alimentos perecíveis analisamos desde a embalagem, checando a temperatura quando é entregue, preenchendo planilhas, observando as informações do fornecedor, entre outros fatores.
MN - E a próxima etapa?
LF - Então, depois disso, o produto perecível vai para área de câmara fria e, se for seco, vai para a área de estoque, em temperatura ambiente. Na câmara fria é feito todo o monitoramento de validade; vemos se o alimento está protegido e separado de forma correta dentro da câmara. No Baby Beef Jardim, por exemplo, há uma câmara específica para cada tipo de alimento, tudo bem preparado.
Vem então outra etapa. O manipulador, geralmente um funcionário da Casa, vai manipular o alimento que está estocado. A essa altura ‘ficamos de olho’ no funcionário, observando a higienização das suas mãos, como foi feito o procedimento, o que ele fez com o alimento; enfim, temos todo esse controle de manipulação, até que o produto chegue à mesa do cliente.
MN - A segurança sanitária dos alimentos também é feita nos eventos da Casa?
LF - Sim. Seguimos os mesmos processos e todos os clientes que contratam os eventos do Baby Beef tanto no Estação Figueiras e Estação Jardim, como nos externos, têm toda uma infraestrutura à disposição. Isso vai desde a higiene dos funcionários, e fiscalizção dos alimentos - fazendo um checklist de controle de qualidade - até o fim, observando se ele teve ou não recusa. Tudo é verificado, mesmo que seja em grande quantidade. Cada prato que sai daqui é um prato único, que passou por todo esse processo.
MN - Há quanto tempo esse trabalho é difundido?
LF - Embora seja uma área antiga, só agora está sendo difundida em restaurantes, com as pessoas dando mais valor a esse tipo de trabalho, graças, inclusive, ao empenho da mídia, que vem revelando a importância dessa atividade, e que na minha opinião deveria ser mais divulgada, porque é realmente uma área importante. Podemos relacionar inúmeras doenças que podem vir com alguns alimentos, doenças graves e que causam problemas ainda mais graves ao consumidor.
MN - Você tem uma equipe?
LF - No Baby Beef, sim, porque sou a chefe de Segurança Alimentar; lá, conto com o trabalho de outra médica veterinária, de uma nutricionista e de duas estagiárias em Nutrição.
MN - Quando e como você se inspirou para fazer esse tipo de trabalho?
LF - Desde a época de faculdade. Meu pai, Dr. Irineu Faria, colaborou muito também, pois ele tem há anos uma empresa de consultoria em Segurança Alimentar, que é bem conceituada na área. Por minha vez, também sempre tive muito interesse pelo assunto, e foi assim que eu comecei a trabalhar. Temos muitos clientes no ABC e em São Paulo, mas no Baby Beef eu atuo como chefe, trabalhando diariamente.
MN - Esse serviço existe também no exterior? Você já visitou algum restaurante fora do Brasil?
LF - Eu fui para Nova York, onde tive a oportunidade de visitar vários restaurantes. Por incrível que pareça existe muita carência desse trabalho por lá, e quando cheguei falando o que fazia, senti bastante interesse por parte dos responsáveis. Aliás, a Vigilância Sanitária, até oferece prêmio, para os melhores estabelecimentos.
O Brasil está muito à frente em relação à Segurança Alimentar e como falta informação para eles, eu fui muito bem recebida, em todos os estabelecimentos visitados; mas, o restaurante mais limpo que encontrei por lá, foi uma churrascaria brasileira.
MN - E aqui, como funciona?
LF - Seguramente, a Vigilância Sanitária de Santo André é uma das melhores do Brasil, pois cobra muito o trabalho de segurança alimentar dos estabelecimentos. Então, isso é muito bom, porque criamos todo um material para consultoria dos restaurantes, de acordo com as normas da Vigilância. Nele você encontra desde a planilha, medição de temperatura e manual de boas práticas, que são exigências da Vigilância Sanitária, até os itens referentes aos funcionários - também solicitação do Órgão. Enfim, é um trabalho complexo, onde tudo é verificado diariamente, para que não haja nenhum tipo de contaminação nos alimentos.
Letícia Faria
Você já ouviu falar em Segurança dos Alimentos?
Dos cuidados que os restaurantes devem tomar para que o alimento, mais que apetitoso, chegue à mesa do consumidor, acima de tudo, saudável? Pois tais cuidados já começam na porta do estabelecimento, quando o fornecedor entrega sua mercadoria. Daí em diante, várias outras etapas são analisadas, até que o prato esteja pronto para ser consumido.
Para falar sobre o assunto, e dar algumas dicas de como se manter um alimento realmente seguro, MercNews conversou com a médica veterinária Letícia Faria, consultora de Segurança Alimentar, além de chefe de Segurança Alimentar do grupo Baby Beef Jardim, em Santo André. Na entrevista, ela explica passo-a-passo como funciona este trabalho fascinante, mas que encerra um ‘mar’ de responsabilidades.Confira.
Por Mariana Buccieri